Madness Of Teens - Capítulo onze / 1ª Temporada

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Capítulo onze - Meu nome é problema

"Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis"

Narrador On.

    Já era bem tarde e ela ainda estava na casa da amiga, estava esperando sua carona, mas de certo modo... Os olhos estavam fixados no teto bem pintado do quarto da amiga, ela suspirou e deixou as mãos sobre a barriga enquanto ainda fitava o teto, Beatrice estava em sua escrivaninha fazendo seu dever de casa, enquanto Mikaelle apenas vagava em seus pensamentos e vez ou outra a ajudava com o dever.

— O que você acha de modificação genética? — Beatrice perguntou, interrompendo seus pensamentos com mais uma pergunta referente a lição.

— Os cientistas não estão bancando Deus? Como isso vai afetar a saúde humana a longo prazo? — respondeu, ainda que meio aérea, a amiga lhe deu uma olhada antes de se voltar ao caderno.

— Ok, então eu sou contra — e com isso, escreveu sua resposta.

— Ele é diferente — Mikaelle divagou, a voz aveludada e calma.

— Como? — agora foi a vez de Beatrice perguntar, ainda que estivesse mais concentrada em escrever.

— Diferente do que pensei que seria.

  Beatrice virou-se para olha-la e meio que revirou os olhos, e voltou-se ao seu dever.

— Como os humanos alteraram os genomas das espécies por milhares de anos?

— Através da seleção artificial — Beatrice concordou, e logo escreveu a resposta — Tem alguma coisa nele que é... — suspirou confusa, tendo toda a tenção da amiga — eu não sei.

— Wow, uma pergunta que Mikaelle Styles não sabe a resposta? — arqueou uma das sobrancelhas antes de concluir — interessante.

  Beatrice sorriu maliciosa para a Styles, e então virou-se ao que a mesma se sentou na cama.

— Não é tão interessante — Beatrice riu negando — eu já terminei o seu dever de casa?

— Terminou, obrigada.

  A de cabelos negros começou a organizar seus materiais, Mikaelle fitou o chão e suspirou frustrada.

— Fico tentando achar uma ligação — disse assim que teve a atenção da amiga. Beatrice franziu o cenho, não entendo o que ouviu.

— Com o Zayn?

  Mikaelle suspirou mais uma vez antes de responder.

— Com o Jake e o Zayn. E comigo e com ele — a voz suave e baixa enquanto ela brincava com um dos anéis de seu dedo — Temos certeza de que não foi ele, certo? E que alguém achou uma forma de culpá-lo totalmente.

— Mika, não pode averiguar tudo isto vendo-o sentado em sua varanda, conjugando verbos — ela disse, um pequeno sorriso brincava em seus lábios enquanto erguia as sobrancelhas. 

— Você não sabe quais verbos conjugamos — retribuiu o sorriso se levantando, e indo pegar sua bolsa.

— Se ele não te disse da primeira vez, provavelmente não pode — dizia, seguindo a Styles com o olhar — tem certeza que ele quer mesmo que volte?

  Mikaelle parou na porta, e virou-se para responder Beatrice.

— Sim, acho que ele quer — sorriu para Beatrice, saindo de lá assim que pode ouvir a buzina do novo carro de seu irmão, que provavelmente a estava esperando do lado de fora da casa dos Sheppard's.

***

  O loiro olhava de um lado para o outro impaciente com a demora da garota, o corredor parcialmente vazio devido ao campeonato só o deixava mais impaciente, ele suspirou frustrado e mais uma vez enviou uma mensagem para Pâmela perguntando onde ela estava, e assim como as anteriores ela ignorou e nem se deu ao trabalho de responde-lo. Niall andou até seu armário e pensou em espera-la ali, pensando que assim seria mais fácil de encontra-la. Pâmela estava atrasada exatos vinte minutos e se demorasse mais que isso talvez eles não conseguissem concluir a artimanha que tinham pensando em fazer. Ele sorriu com o pensamento, a cena seria cômica disso ele tinha certeza, isso é, se Louis depois não descobrisse quem fora o autor da brincadeira e decidisse o castigar, Niall mordeu o lábio inferior em sinal de nervosismo, porém logo deu lugar a um sorriso seguido de um suspiro de alivio ao ver a loira afobada e de cabelos ondulados vindo em sua direção. Pâmela fez uma careta para Niall, enquanto tentava ajeitar a alça de sua mochila que caía por um dos ombros, assim que estava perto o suficiente do falso loiro ela prontamente lhe deu um beliscão no braço esquerdo.

— Au! Por que fez isso?! — Niall perguntou, enquanto esfregava o braço no lugar onde ela tinha o beliscado.

— Isso foi por você ter lotado meu celular e mensagens, e isso — lhe deu um soco no ombro direito, e rapidamente Niall esbravejou — é por todas as mensagem estarem perguntando exatamente a mesma coisa!

— Ora! Não me culpe, você não teria recebido tantas mensagens caso não tivesse se atrasado. E ao menos você poderia ter as respondido, não acha? — ergueu uma das sobrancelhas em sinal de questionamento.

— Niall eram 128 mensagens! — ergueu os braços gritando, o falso loiro se encolheu pensando que ela o bateria novamente.

— Ok, ok talvez eu tenha exagerado um pouco.

— Um pouco?

— Um pouco muito... Mas deixa isso pra lá. Trouxe o que combinamos?

— Não tinha como esquecer com você me lembrando através de 128 mensagens... — resmungou, enquanto vasculhava a mochila em busca do pote médio de *estrogênio — Aqui — jogou o pote em direção a Niall.

— Perfeito! — exclamou Niall exibindo um sorriso — ainda não acredito que sua mãe usa essas coisas — riu.

— Ei! Isso é um suplemento de beleza natural.

— Eles matam cavalos por causa disso — Pâmela revirou os olhos — como conseguiu a convencer te lhe dar isso?

— Simples, não a convenci, comprei um pote novo na farmácia, por isso demorei tanto.

— Certo, agora precisamos apenas convencer a Stefany a colocar isso nas vitaminas do Louis, ele deve estar no treino se aquecendo para o jogo, então ela consegue isso fácil.

— Isso pode deixar comigo. Posso não conseguir convencer minha mãe, mas sou ótima convencendo e persuadindo a Stefany. 

***

  Okay, não era nem um pouco confortável tocar os pés sem dobrar os joelhos, nem mesmo nenhum dos outros exercício que ele tinha de fazer para se aquecer e não sofrer uma lesão durante o jogo, mas ele já estava acostumado, acostumado e ansioso. Seria o grande jogo contra uma escola de Boston e Louis sabia que podia vencê-los, ele e seu time, é claro. Já fazia um tempo em que ele alternava entre se exercitar e se alongar mas ele não estava cansado, e nem estaria tão cedo, só conseguia pensar em vencê-los. No momento, seu único dever era dar dois grandes pulos - que mais pareciam passos - para a frente, primeiro com a perna direita e seguida com a esquerda, e ficaria assim durante alguns minutos.
  A ruiva ainda na entrada do grande campo verde procurou pela mochila preta, logo a encontrando com os olhos, não estava muito longe, era um grande campo, e haviam várias pessoas ali, ela era só uma ruivinha em meio aquilo tudo e ninguém a notaria, era óbvio que daria certo.
   Em passos apressados ela chegou até o objeto, sua respiração era curta e rápida. Olhando para os lados ela rosqueou a tampa do grande recipiente branco e fez o mesmo com o recipiente menor, derrubou o conteúdo do menor para o maior e tudo estava feito.

A não ser por...

— E aí, gata? — ele correu até ela e alcançou a garrafa squeeze de água.

— Oi.

— Como é que está?

— Bem.

Ela passou para seu lado esquerdo enquanto observava ele pegar o pote e abrir a tampa.

— Está tentando ganhar músculos?

— É, tenho que tomar isso duas vezes por dia, além do mais, preciso mesmo vencer hoje.

— Ah — disse e tornou a passar para o lado direito. Estava nervosa — Não está funcionando... — disse e ele no mesmo instante parou — Quer dizer... A aparência magra funciona para alguns homens mas não para você — e então ele olhou para o próprio bíceps.

— Não está funcionando?

— Pois é, dobre as doses.

— É, tá, obrigado pela dica — disse e ela sorriu jogando até ele um beijo estalado.

  Ela riu baixinho e olhava para trás a cada dois passos enquanto saía dali, embora tentasse evitar ambos, era impossível. Por fim, ele não sabia quanto havia posto em sua água, sabia apenas que estava fora do seu limite, chacoalhou e bebeu tudo num gole só, agora ele realmente se sentia pronto.

(•••)

  O jogo havia começado e um amigo de Louis já marcara um gol. Louis se sentia completamente disposto e ansioso, sentia a adrenalina correndo em suas veias. Ele podia jurar nunca ter sentido tanta euforia na vida, parecia eufórico até demais. Ele havia acabado de marcar um gol e estava orgulhoso de si mesmo, mas exigiria muito mais de si, com os gritos dos torcedores e do time de Harvard como música de fundo ele comemorou.
   A posse de bola era sua novamente e isso, é claro, resultou num jogador do time adversário tentando pegá-la, Louis foi empurrado no peito mas sentindo dor e passando a mão na área ele relevou, mas então o adversário fez novamente.

— Pára com isso, além de ter sido uma falta está sensível — disse e passou a mão no local novamente.

— Desculpa princesa, tem uma unha encravada?

— Que nojo.

— Quantas vezes tenho que dar descarga antes de você ir embora, hein?

— Joga limpo.

— Não seja um veado, Tomlinson.

— Isso não se fala! — disse e o empurrou de volta.

E então ele ouviu o apito do juíz e uma outra palavra.

— Falta! — é claro que ele havia especificado a falta mas Louis não podia ouvir outra coisa a não ser seus pensamentos amaldiçoando o outro jogador.

— Ele começou! Ele foi grosseiro! — dizia enquanto o treinador passava por ele e o ignorava.

  Ele seguiu até Harry que assistia a tudo enquanto comia uma mini barra de chocolate Hershey's, Louis pegou o doce.

— Hey, esse chocolate é meu!

— Eu preciso! — disse e deu uma mordida — minhas coxas ficam gordas com essa bermuda? — perguntou devolvendo o chocolate a Harry que sem dizer nada lhe olhou como se ele fosse louco, Louis deu de ombros logo tornou ao campo após ouvir o apito do juiz novamente.

— Louis, passa a bola! Louis! — Aaron gritou.

— O quê que foi? Por que está me olhando assim?

— Passa a bola logo, cara!

Mas ele não o fez e logo um jogador do time adversário tomou a bola e correu para o gol.

— Olha o que você me fez fazer! — Louis gritou para Aaron.

Os Yankees de Boston haviam feito um gol.

— Tempo juiz! — Jason gritou e Louis e os outros jogadores foram até ele — Louis, você está legal?

— Estou, por quê? Eu não pareço bem? Eu me sinto ótimo, eu estou ótimo! Por quê a pergunta? — dizia tudo rapidamente enquanto massageava uma área vermelha de seu braço.

— Para você se concentrar, só temos um minuto até o término do jogo.

— Eu estou concentrado!

— No três — Jason o ignorou e disse colocando sua mão no centro da roda dos jogadores que logo colocaram as suas por cima.

— Harvard Patriots, vai! — gritaram em coro e saíram.

  Louis havia voltado ainda mais eufórico que antes, se é que isso era possível, e logo corria em direção ao gol com a bola, ele tinha tudo para fazer um gol e ser notado pela olheira que ele sabia que estava presente ali. Ele já estava para comemorar quando percebeu que a bola não havia entrado no gol, e sim, batido na trave e que ele caíra feio, sentiu uma forte dor em seu joelho.

— Tomlinson, Tomlinson! Você está legal? Consegue ir até o fim do jogo? — Jason correu até ele.

— Não — disse se sentando na grama — estou ansioso, inchado, meus mamilos doem!

— Deixa de ser covarde, precisamos de você, levanta daí! — gritou e apontou o outro time com o queixo.

— Não! Eu não vou, é sempre eu, "precisamos de você Louis!", "vamos Louis!" Louis, Louis, Louis! — ele gritava enquanto apontava o treinador e batia o pé esquerdo no gramado com força. Um silêncio absoluto estava ao fundo, ninguém acreditava no que estava havendo — Você sempre grita comigo, não me ouve! E os meus sentimentos? — gritava enquanto via todos com os olhares confusos fitos em si e foi quando sentiu lágrimas se acumularem no canto dos seus olhos e correu com a mão no rosto para fora do estádio  — Me deixa em paz! — empurrou um outro garoto e sumiu enquanto adentrava no vestiário.


(•••)

  Enquanto outro jogador ocupava o lugar de Louis e no mesmo lugar três certas pessoas riam e comemoravam, não pelo jogo, é claro, Niall, Pâmela e Stefany riam e comemoravam o tempo todo pelo feito, elas, por outro lado, estavam de longe animadas. Os Harvard Patriots estavam perdendo e não havia pelo que torcer ou comemorar, isso afora o escândalo imprevisível de Louis. O celular de Mikaelle vibrou e ela tirou do bolso sem hesitar, o jogo não estava interessante mesmo.

Zayn - ás 12:01
Venha para cá assim que possível

Beatrice observou a amiga confusa olhando para a tela do celular e ficou curiosa.

— O que foi?

— Zayn me mandou uma mensagem, não entendo — ela lia e re-lia ainda sem olhar para a outra.

— Eu disse que não daria certo — riu baixo, mais como um riso anasalado.

— Talvez... Ele só esteja confuso, o que acha?

— Que não deveriam ter trocado seus números.

— Não é isso que importa, e me refiro a mensagem, idiota — disse e virou o visor para a outra.

— Acho que está te tando um fora.

— Tenho certeza de que não é isso que ele quis dizer — disse incrédula com o que acabara de ouvir — vou conversar com ele.

— Devia esquecer isso.

— Não, vou continuar insistindo, confio no Zayn e sei que ele tem algo a dizer, e ele vai dizer.

— Apenas não venha discutir comigo quando eu disser "eu avisei".

O Xerife se sentou ao lado da garota ocupando o lugar de Mikaelle e as interrompendo.

— Filha, não sabia qual sabor queria então trouxe as duas — e entregou a ela um saco de pipocas, ela levou seu olhar para a amiga uma última vez e esta saiu sem dizer mais nada.

***

  Adolescentes com hormônios ebulindo, gritavam e corriam eufóricos pelo campus, alguns ainda comemoravam pela vitória de Boston contra Harvard, já outros apenas lamentavam a perda e culpavam o time, outros nem ao menos se importavam com quem havia perdido ou ganhado, como era o caso de (Seu/Nome) e Niall, os dois por sorte haviam conseguido despistar os amigos, e agora esperavam um Táxi que os levariam até o lugar onde eles esperavam conseguir respostas. O caminho da escola até a loja de fantasias não foi tão longo, mas de longe nem tão curto, em menos de vinte minutos já estavam lá, pagaram a quantia certa ao taxista e saíram do Táxi.
  Agora já em frente a loja de fantasias, eles observavam a faixada e pensavam se deviam ou não entrar de uma vez, ou apenas pedir licença e logo depois partir para as perguntas e suspeitas. Estava tudo silêncio e a loja não tinha nem sinal de movimento, Niall virou-se para (Seu/Nome) e viu a mesma mexendo em seu celular.

— O que está fazendo?

— Estou desbloqueando meu número.

  Niall a fitou aparentemente confuso, não havia entendio nada.

— Eu e as garotas havíamos bloqueado nossos números para não receber mais mensagens de -A, e agora estou desbloqueando para receber as mensagens.

— E porquê?

— Não adianta mais fugir disso, de um jeito ou de outro acabo recebendo as mensagens mesmo — deu de ombros.

— Certo...

  Os dois voltaram a ficar em silêncio enquanto olhavam a entrada e em minutos o celular de (Seu/Nome) tocou, avisando que ela tinha uma nova mensagem, a mesma se virou para Niall como se dissesse "eu não disse?", e rapidamente pegou o aparelho celular para ler a mensagem, porém diferente do que ela esperava ver, tinha apenas uma mensagem de Thomas.

Thomas - ás 14:08
Hey! :)
Eu já perdi a conta de quantas mensagens já lhe mandei lhe convidando para um novo encontro, mas vale a pena tentar de novo, certo? 
Eu tava pensando, o que acha de irmos ao cinema hoje? Apenas nós dois? Vai passar um filme novo de zumbis e acho que você iria gostar! Então...

— Quem é? — Niall perguntou assim que viu (Seu/Nome) paralisar ao ler a mensagem.

— Thomas... — ela suspirou, enquanto ainda lia a mensagem. Niall se aproximou da mesma e leu a mensagem.

— Não sabia que estava saindo com ele.

— É... Eu estava — mordeu o lábio inferior pronta para responder a mensagem, quando seu celular apitou mostrando mais uma mensagem do mesmo contato.

Thomas - ás 14:10

Eu queria tanto que você fosse, tenho certeza que nos divertiríamos muito, isso é se você aceitar.

Thomas - ás 14:11

Você tem me evitado esses dias e eu não sei porquê. Eu fiz algo de errado? Por que se sim, me desculpe.

Thomas - ás 14:12
 Seria legal se você me respondesse, sabe?

  A morena olhava as mensagens enquanto ponteava alguma resposta decente para Thomas, era horrível o que ela estava fazendo com ele, ela sabia disso, mas talvez ela só tivesse medo de se envolver verdadeiramente com ele e com isso acabar com o coração partido. Ou talvez ela só odiasse a irmã de Thomas, é, talvez seja isso.

— Por que está o ignorando e evitando? — Niall questionou olhando para as mensagens e depois para (Seu/Nome), que só agora percebera que Niall estava bem ao seu lao lendo suas mensagens.

— O que?! Eu não... Niall! 

— O que? Eu só estava lendo, nada demais.

— Pára com isso, eu... Eu não estou ignorando, e muito menos o evitando — mentiu.

— Não é o que parece...

— Eu não estou, tá? Eu apenas... 

— Você apenas... — a incentivou a continuar.

— Isso não é da sua conta, tá legal? — piscou para o falso loiro e o mesmo apenas revirou os olhos — agora vamos logo ver o que nos trouxe aqui, sim? — perguntou, enquanto digitava uma rápida resposta a Thomas, dizendo mais uma vez não poder ir. Niall apenas deu de ombros e adentrou a loja.

  O local assim como o esperado era bem macabro e vazio, o nome da loja estava estampado ao fundo, Holmes Chapel: costumes & masks, era o que dizia, os dois olhavam tudo atentamente, as diversas fantasias, velas, máscaras e incensos dava apenas um ar mais assustador a tudo aquilo, o local era pouco iluminado, mas ainda sim dava-se para ver bem tudo encontrado ali. Um senhora estava atrás o balcão, os cabelos grisalhos presos a um coque e óculos quadrados e sem armação ela usava, Niall caminhou até ela assim como (Seu/Nome). E pigarreando uma única vez eles conseguiram sua atenção.

— Bem-vindos a Holmes Chapel: costumes & masks, em que posso ajudá-los? — lhes perguntou com a voz fina.

— Oi, érr... A gente veio aqui em busca de uma fantasia — começou Niall, a voz vacilante.

— Ah! Temos ótimas fantasias aqui, vocês podem dar uma olhada nas novas que ch... — a velha tagarelava, enquanto gesticulava e saía de trás do balcão porém (Seu/Nome) logo a interrompeu.

— A gente já sabe qual fantasia quer.

— Bem, nesse caso...

— Na verdade viemos mesmo ara saber quem a comprou.

— Vocês teriam a fantasia ai com vocês? 

— Claro, um instante — disse a garota, que logo entregou o casaco vermelho e capuz para a velha.

  A senhora analisou bem o casaco, e um arrepio percorreu por seu corpo velho, as palmas da mão soaram e ela entregou o casaco e volta a (Seu/Nome).

— Me des-desculpe minha jovem, mas não posso ajudar. Certamente esse não é um dos meus.

— Não, é? Bem, não é o que esse recibo aqui diz — Niall disse, entregando o recebido onde claramente constava o nome da loja. A velha senhora ficou paralisada.

— O que querem? — perguntou num fio de voz.

— Queremos apenas o nome do comprador.

  Ela semicerrou os olhos os observando, deu a volta até ficar atrás do balcão novamente, retirou um velho e grosso caderno de algum lugar e o colocou frente a eles. 

— Eu não tenho permissão para isso, mas... — ela dizia, enquanto folheava as páginas do grande caderno de capa amarronzada. E assim que chegou na data dita no recibo, ela pode ver o nome — o produto foi comprado por (Seu/Nome) Lancaster.

— O-o que? — a morena gaguejou confusa assim como Niall.

— (Seu/Nome) Lancaster, é o que diz aqui — os dois olhara para o caderno e tiveram a certeza do nome de (Seu/Nome) escrito ali. A velha sorriu malvada e voltou-se a eles — mais alguma coisa querido? 

— Não — resmungou Niall — obrigado por nada, vamos (Seu/Nome) — disse puxando a garota pela mão e saindo de lá.

  Assim que já estavam numa boa distância da loja de fantasias, ambos os ois se permitiram xingar tudo o que era possível e impossível que vinha de -A.

— E mais uma vez o -A nos fez de bobos!

— Eu realmente o odeio! Arg!

— Eu simplesmente não acredito, tinha tudo para dar certo, eu realmente pensei que descobriríamos de uma vez por todas quem é esse idiota.

— Já deu pra mim, e vou ter que ir agora, Niall, prometi ao meu pai que o encontraria no clube hoje.

— Tudo bem, eu vou indo também.

— Até mais, Niall.

— Até mais, (Seu/Nome).

Seu/Nome P.O.V's

  Eu rebati a bolinha com a raquete, parecia uma jogada ótima. Só parecia mesmo, ao invés de atravessar a rede e — se eventualmente o destino estivesse do meu lado — cair o outro lado a bola recocheteou na rede e caiu do meu lado do campo mesmo. Vi meu pai comemorar e joguei a raquete no chão e cobri o rosto com as mãos, estava rindo da minha própria desgraça.

— Okay, vamos dar uma pausa — disse rindo comigo e se virando e saindo dali.

— Qual é? Eu só estava começando! — protestei e meu pai se virou rindo.

— Se já está perdendo no começo é melhor parar, amor — disse e eu lhe dei um soco no ombro rindo.

  O segui até o refeitório onde ele parou para tomar um copo de suco de goiaba com cookies, e eu o acompanharia talvez trocando o suco por um copo de leite puro e gelado mas algo me interrompeu. Eu observei ele sair do vestiário com o uniforme do clube e uma raquete na mão e jurei já tê-lo visto alguma outra vez, mas muitas coisas têm acontecido na minha vida ultimamente, eu poderia estar louca... Ou não.

— (Seu/Nome)?

— Oh, o que foi pai?

— Eu já te chamei, sei lá, umas três vezes!

— Desculpa, mas o que quer?

— Só queria saber se vai fazer um lanche comigo.

— Não estou com muita fome agora, tudo bem para você?

— Sim, claro, você anda muito desligada ultimamente sabia? Deve ser o celular.

— O quê? O que isso tem haver? Nem tem wi-fi aqui!

— E isso prova que você já verificou se tinha, mas tudo bem, pode ir jogar — sorri fraco e saí.

  Só pensava nele, e que já tinha o visto alguma vez, bem, eu iria descobrir.
 
— Hey, quer jogar? — o alcancei o tocando no ombro e se virou e ele sorriu ladino.

— Claro — os olhos azuis escondiam algo, eu podia sentir, isso, é claro, quando o cabelo preto e liso não caía no rosto e cobria um pouco os olhos.

— Quer escolher o lado do campo?

— Não, eu ganharia em qualquer um dos dois — disse e sorriu, eu acompanhei e ri.

— Quer dizer que é convencido? — disse e fiquei na posição para rebater.

— Não sou convencido, só digo as verdades — disse jogando a bolinha para cima e rebatendo-a com a raquete.

— Okay, convencido ou não eu tenho certeza de já ter te visto — disse correndo até o outro lado do campo e rebati a bolinha.

— Talvez você já tenha me visto mesmo — respondeu indiferente.

— Mas quando eu supostamente te vi não estava com essa roupa — rebati.

— É, não é o meu estilo, eu não uso shorts — olhou para si mesmo depois de segundos e ter rebatido a bolinha verde e peluda.

— Não parece ser mesmo, nome? — rebati novamente.

— Tenho sim, e você? — sorriu ladino novamente e eu ri.

— Você entendeu, e sim, eu tenho, e é (Seu/Nome), agora me diz o seu —  rebati novamente, acho que a sorte estava do meu lado dessa vez, eu já teria deixado cair.

— Sou Nicholas, (Seu/Nome) — disse sorrindo e rebateu.

— É um ótimo nome, combina com você — disse e foi só eu ter pensado que estava indo bem e ter começado a ter esperanças que não rebati dessa vez, okay, eu rebati sim, o ar, ela passou ao lado da raquete — eu não achei que fosse ganhar mesmo — dei de ombros e ele riu.

— E esta é a prova de que não sou convencido, só digo as verdades — disse e pisou sobre a bolinha verde que havia voltado quicando até ele — eu disse que ganharia e ganhei, eu sou demais! — gritou enquanto tirava rapidamente a camisa do uniforme do clube, a jogava no chão e erguia os braços. Okay, ele era... Charmoso, mas não estava reparando em seu abdome definido — se eu não estava como pude saber que era definido? — as tatuagens é que eram interessantes. No ombro direito um pouco abaixo do pescoço havia uma delas, era simplesmente um círculo com um olho dentro e dentro do olho, exatamente na pupila, um "A". Sim, um "A". Enquanto ainda levantava os braços comemorando eu percebi a outra, era uma frase em letras de forma. "Menti para você, e você acreditou. Esse foi o seu erro -A". Okay, ele tinha duas tatuagens com "A's" e isso me intrigava muito.

  Antes que pudesse dizer ou pensar em qualquer coisa meu celular vibrou, corri até ele mesmo já presumindo o que poderia ser, a julgar pelo fato de eu ter desbloqueado o número. Na tela eu observava uma foto, era a tatuagem dele, de olho, e abaixo uma frase:

"Menti para você, e você acreditou. Esse foi o seu erro -A"

Narrador On.

   A madeira rangia a cada degrau que ela subia daquela fachada, havia uma mesa ao lado da porta onde sobre haviam duas xícaras, os pais dele estavam. Ela bateu rápido na porta duas vezes, ele não demorou a atender.

— Hey — abriu a porta saindo e a fechou atrás de si. 

— Oi. Recebi sua mensagem, mas não entendi direito.

— Isso não vai dar certo — ele estava com o livro em mãos, ela franziu o cenho — Aqui, pegue de volta — entregou o livro mas ela não abriu as mãos para pegá-lo, continuou apenas com o olhar fito no dele tentando entender o que acontecia.

— Zayn, vim porque achei que poderíamos ajudar um ao outro.

— Não podemos — disse simplesmente depois de um tempo — pegue e vá embora.

 Ela o pegou e baixou o olhar, não saiu dali ainda, o observou entrar novamente enquanto tentava entender o que havia acontecido ali. Suspirou e saiu ali olhando uma última vez a casa que não havia entrado e provavelmente não iria mais.
  A sua estava calma, provavelmente ninguém além dela estava lá. Ela ignorou Mason que comemorava por haver alguém ali e subiu até seu quarto. Jogou o livro na cama e se sentou ao seu lado, suspirou e quando voltou seu olhar ao mesmo novamente pôde ver um tipo de bilhete saindo, era uma folha de caderno com linhas azuis e a caligrafia ela conheceu bem.

"Talvez você esteja certa, eu encontrei isso"


CONTINUA...

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Sara Wiki
Estrogênio: Estrogênio é um remédio para o fornecimento de hormônios adicional quando o organismo não produz o suficiente por conta própria. Eles são necessários para o desenvolvimento sexual normal as mulheres e para regular o ciclo menstrual. Eles também podem ser usados para o aumento dos seios ou glúteos - como muitas mulheres usam -, porém, usar de forma demasiada pode ocorrer alguns riscos como: engrossamento da voz (deixando-a como a de um homem), e crescimento demasiado de músculos, ou seja, tu quase vira um homem, então se tomar muito pode até crescer um pênis em você, KKKK zoas. 
  Agora, vamos para alguns efeitos colaterais do Estrogênio: dores de cabeça, inchaço, sensibilidade mamária - rindo porquê lembrei do Louis -, retenção de líquidos, náuseas e vômitos. Agora vamos para mais explicações. Quando você cara leitora, começa a mijar molho e tomate e vem aquela TPM do caralh*, você não fica toda emocional e até vez ou outra começa a chorar sem um motivo aparente? E sempre vem aquela vontade de assaltar a Cacau Show mais próxima? Pois bem, esses são um dos hormônios "atiçados" quando você está naqueles dias, por isso, quase sempre tu fica meio emocional. E quando se toma estrogênio esses hormônios são "atiçados", por isso, nosso querido Louis ficou todo sentimental daquele jeito e com grande desejo de comer chocolate. Ou seja, ele quase virou uma mulher :) 
  Esse foi o Sara Wiki, espero que tenham entendido e até a próxima explicação da Wikipédia. 

Amores! Olha só quem tá aqui!, isso mesmo, euzinha, e dessa vez mais calma, olha só eu consegui mesmo escrever tudo hoje, eu corri contra o tempo, então espero que tenha valido a pena, e mil desculpas - mais uma vez - pela demora, me senti um monstro por ter feito vocês esperarem tanto, então me desculpem. E, mais uma coisinha, esse capítulo foi dedicado a minha melhor amiga Laís Nayara Rodrigues Silva - por favor não tentem roubar o CPF dela, e abrir uma conta com o nome dela, porque ela não tem dinheiro então seis vão se foder -. O aniversário dela foi dia 07/08, então desejam feliz aniversário atrasado pra ela :) 
E mais uma coisinha. PUTA QUE PARIU 17 COMENTÁRIOS? - na verdade 16 porque um foi repetido - MAS MESMO ASSIM, PUTA QUE PARIU, MANO EU AMO VOCÊS DEMAIS, A MINHA VONTADE É DE ATRAVESSAR A TELA E DAR UM BEIJÃO EM CADA UMA E VOCÊS, SÉRIÃO, CARA, MEU DEUS, VENHAM CÁ. AMO MUITO VOCÊS!!!
Então por favor não deixem de comentar esse e dizer o que acharam, sério, façam bíblias para mim ler que eu aceito porquê amo comentários grandes, mas se vocês comentarem apenas um "continua" eu já amo. Então é isso minha gente, eu ri muito desse capítulo e espero que vocês também, até o próximo, quanto mais rápido comentarem mais rápido postamos, é isso, beijão!

- a você que leu, Sara ama você :)x

Madness Of Teens - Capítulo dez / 1ª Temporada

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 Capítulo dez - Aula prática é melhor

"As meninas francesas são fáceis (e as inglesas também)"

Narrador On.

  Ele não podia dizer que não esperava olhares sobre si ao entrar, sempre tinha o olhar todos fito em si, mas não daquela maneira. Parou seu percurso por um segundo analisando o modo como todos observavam, pareciam ter a atenção voltada a qualquer mínimo ato que este fizesse. Não estavam o olhando da mesma forma de sempre, pareciam mais olhares com estranheza ou até condenação, como se ele tivesse feito algo imperdoável. Apenas engoliu em seco e continuou seu percurso, mas o olhares não pareciam menos contínuos sobre si, se sentindo desconfortável - ao que parecia ser pela primeira vez - com tantos olhares voltados a si, o de cachos tirou o aparelho celular do bolso e começou a mexer com interesse, não que algo o interessasse ali, seu trabalho consistia apenas em passar o menu, porém era melhor do que encarar todos aqueles olhares.
   Pouco antes de chegar em seu armário ele o notou, com novamente os óculos de armações escuras quadradas e lentes grossas, ele tinha também um novo sorriso nos lábios que Harry simplesmente não conseguia decifrar, não era um sorriso nervoso de quem se está prestes a levar uma surra, era mais como... Atrevido, talvez?
   Harry franziu o cenho achando graça naquilo tudo, não é como se Niall sorrisse para ele todo dia, este na verdade evitava sempre seus olhos. Alguns dos amigos de Louis do time de futebol tinham os olhos baixos e as atenções voltadas a algo enquanto riam, eles alternavam entre olhar para Harry e para o objeto misterioso e rir, ainda que não soubesse do que se tratava ele podia sentir uma calafrio lhe subir a coluna.

— O que foi que você fez? — empurrou o louro em direção aos armários. Ele nada disse, tinha apenas o mesmo sorriso presunçoso nos lábios finos.

   Ele continua sorrindo? Isso é pedir para levar uma surra, Harry pensou, mas estava sem tempo naquele momento.

— "Você me faz sentir como ninguém, ás vezes eu..." — dizia com uma voz melodiosa e falsamente rouca e gesticulava um qualquer de topete alto e college em letras gregas, afastou os outros a sua volta e logo reconheceu o objeto marrom de capa dura de couro. Harry não tardou em tirar-lhe das mãos o que lhe pertencia.

   Enquanto ele guardava o objeto de volta a seu armário todos a sua volta pareciam rir e suas risadas ecoavam na cabeça de Harry.

— Não sabia que conhecia tantos sinônimos para a palavra ''amar'' — caçoou o mesmo que antes tivera seu diário nas mãos, Harry riu sem humor antes de se virar lentamente, 

— Se passasse menos tempo sendo um babaca também conheceria... — ao passo que Harry se aproximava do garoto cerrando os punhos o burburinho a sua volta diminuía, mas ele sabia que ainda sim todos continuavam olhando aquela cena estagnados. Chegou suficientemente perto do garoto ao ponto que mechas secas pelo gel de seu topete tocassem e pinicassem o nariz de Harry — Mas eu também conheço muitos verbos, dentre eles eu prefiro conjugar um em especial, tem ideia de qual seja? — disse enquanto semicerrava os olhos e o outro negou com clareza — Socar... — disse lentamente e ouviu sua respiração descompassada logo depois de engolir em seco, sinalizou o corredor com o queixo e abriu espaço para o outro que se apressou em sair dali.

 Harry podia sentir seu estado de raiva se diluir ao seu estado normal lentamente e seus ombros baixarem mas aquele incômodo de saber que todos tinham visto muito de sua vida pessoal e de por pelo menos alguns segundos ter se sentido nu em frente a todos ainda o perturbava. Ele se virou a procura de Niall que como previsto não estava mais ali e suspirou, não importa o quão tarde fosse ele lhe faria pagar por aquilo, e foi quando deu de encontro com a garota a sua frente.

— Eu não sabia que podia ser tão sensível, Harry — a loura que enrolava no dedo uma mecha de seus cabelos lisos lhe disse com sua voz melodiosa. Ele arqueou as sobrancelhas enquanto um resquício de seu típico sorriso de lado começava a surgir em seus lábios.

E então chegou outra garota.

— Isso foi tão emocional e profundo, eles dizem essas baboseiras por que não podem nos entender como você, Harry — disse uma ruiva de cabelos claros e apontou a grande unha pintada de azul claro para o mesmo.

E mais outra.

  Sorrindo abertamente Harry passou os braços por cima dos ombros de duas garotas enquanto ele e mais algumas garotas além das duas caminhavam em direção as suas salas, — não que alguém ali fizesse menção de estudar. Ele tinha de volta os mesmos olhares que já esperava sobre si e piscou um dos olhos verdes ao louro que observava toda aquela cena espantado e provavelmente pensava, ''Como o melhor dos planos pode ter falhado?''.
   Enquanto observava o cacheado sair dali da melhor maneira, como se minutos não estivesse a beira do fracasso, o falso loiro se amaldiçoava por não ter conseguido feito aquilo ter dado certo, era fácil, era eficaz, e ainda sim ele tinha conseguido ter vencido o louro novamente. Não era realmente possível que uma pessoa fosse assim tão boa em tantos aspectos, era? Ele coçou os olhos por baixo das lentes do Ray-Ban de grau e suspirou.

   A tarde estava quente e úmida, o ar estava influo e parecia concentrar-se apenas naquela cidade, de modo que os pulmões asmáticos do garoto gritavam por ar. Ele bateu na porta da garota, e bateu, de novo, e de novo. Ninguém atendeu e a porta destrancada começou a tentá-lo a abri-la, e ele o fez, estava sem tempo de qualquer maneira.
 Entrou estrepitosamente e logo pôde ouvir a música tema do jogo que Mike jogava em seu Playstation 3, subiu as escadas antes que pudesse chamar a atenção do garoto e ainda nos últimos degraus da mesma ouviu o som de teclas sendo apertadas displicentemente e confirmando a presença da garota ali.

Ele bateu fraco duas vezes na porta branca de mogno já aberta.

— Estou quase me ajoelhando aqui mesmo e agradecendo a Deus por você ter batido na porta pelo menos uma vez, Mike.

— Sou eu, Niall, além do mais, a porta já estava aberta — deu de ombros e ao ouvir a voz conhecida a loura rapidamente virou-se na cadeira de rodinhas.

— Me desculpe Niall, é que o Mike...

— Tudo bem, eu sei... — era sempre meio desconfortável estar na presença de Pâmela sem outras pessoas ao redor, não é como se eles não fossem amigos, mas simplesmente não era tão íntimos.

  Ele atravessou o tapete felpudo invólucro em um tecido linóleo em sem mais demora tirou o objeto da mochila, o estendeu para a garota e ela o pegou o analisando.

— O quer que eu faça com isso?

— O que faz de melhor!

— Mas isso não seria err...?

— Porra Pâmela, é o Harry, você se realmente se importa com isso?

— Não — disse e riu de si mesma.

— A um poema aí que eu quer...

— Um poema? — disse segurando o riso.

— Sim, eu também ri, mas voltando ao assunto, tem um poema aí que eu quero que publique no seu blog — disse com um sorriso insolente.

— Tem muito mais que apenas um poema aqui... — disse foleando as páginas.

— Mas na maioria são coisas irrelevantes, eu juro que duas páginas são apenas uma descrição do céu — diz e ela ri — Sei que vai estar ocupada com isso então... Tchau — e ela acenou de volta.

  Repassando a recente cena em sua cabeça pensante Niall podia jurar que em nenhum momento aquilo pareceu que daria errado, mas pelo visto Harry estava sempre um passo á sua frente, nem mesmo o ato mais imprevisível poderia ao menos dar um gosto ao de cachos do que Horan passava todo dia, e ele estava puto.

***

  "Os maldosos de Harvard", Mikaelle lia e relia o título incontáveis vezes sem acreditar no que Pâmela fizera, ela queria gritar e acabar com a garota, nem que para isso precisasse quebrar suas unhas. Ela suspirou fundo e virou-se para uma Beatrice estática ao seu lado, a outra não diferente dela estava pasma, era como se a raiva a consumisse aos poucos, isso sem contar os inúmeros comentários que só as deixavam mais nervosas.

— Eu vou acabar com aquela vadia — Beatrice bloqueou seu celular, proferindo calmamente.

— Ela só está fazendo isso para chamar a atenção...

— E está conseguindo!

— Nós vamos nos vingar, calma — Mikaelle disse, o resquício de um sorriso sapeca lhe surgindo os lábios rosados.

  E entendendo o que a amiga queria dizer Beatrice apenas assentiu, Mikaelle se levantou e estendeu a mão como apoio à morena, Beatrice pegou na mão da amiga e se levantou. Narizes empinados e posturas eretas, e o tão habitual ar de superioridade que ambas tinham, elas andavam com tanta segurança que chegavam a parecer que eram superiores a todos daquela escola, e de fato eram. Ao chegaram frente a porta do zelador, puderam ouvir alguns fracos gemidos e risinhos, Mikaelle revirou os olhou e fez um sinal à Beatrice, a mesma dando de ombros abriu a porta revelando Harry e uma líder de torcida ruiva se pegando, a garota já estava sem a parte de cima e a única coisa que lhe cobria os seios era o sutiã rosa, Harry muito pelo contrario estava apenas com sua blusa college jogada ao chão, enquanto tinha os cachos numa bagunça perfeita e os lábios avermelhados e com marcas de batom.

— Sério mesmo, Nancy? — Mikaelle ergueu levemente uma das sobrancelhas — se soubesse que queria entrar para a equipe de animadoras apenas para conseguir dar uns amassos no meu irmão, não lhe permitiria.

  A ruiva abriu e fechou a boca diversas vezes como se procurasse o que dizer. Harry riu anasalado e pegou sua blusa do chão e a vestiu.

— Mika eu... — Nancy tentou se explicar, falhando drasticamente.

— Não, não, esquece isso, só se vista e suma da minha vista — a garota assentiu por diversas vezes antes de vestir sua camiseta e sair dali. Beatrice e Mikaelle a seguiram com o olhar antes de se virarem para Harry.

— Eu poderia ter conseguido transar com ela se não tivessem atrapalhado, mas enfim, qual o problema? — cruzou os braços e fitou as duas.

— Primeiro que não é bem um "problema" — Beatrice disse, enquanto gesticulava — é mais como uma... Como posso dizer? Uma pedra no sapato.

— E segundo, arrume esse cabelo — Mikaelle prosseguiu, indo até o irmão e lhe ajeitando os cachos. Harry revirou os olhos, jogou os cabelos para frente e logo em seguida os puxou para o lado — e também tire essas marcas de batom barato da sua boca — a Styles fez uma careta e levou um dos dedos até o próprio lábio para em seguida passa-lo nos lábios do irmão, esfregando delicadamente o polegar em seus lábios retirando as marcas de batom. Harry tentou, mas foi impossível não sorrir com o ato.

— E terceiro, precisamos que nos ajude a convencer Courtney a fazer algo para nós.

— Courtney? Courtney Dawson? A supervisora de atividades físicas dos boxeadores de Harvard?

— A própria.

Harry riu, negando veemente com a cabeça.

— Sem essa, ela detesta vocês, duvido que concorde em fazer algo.

— Tem razão, ela nos odeia, mas afinal quem não nos odeia nessa escola? São todos uns invejosos — Beatrice disse, revirando os olhos.

— Ela pode até nos odiar, mas tem alguém que com toda certeza ela não odeia — Mikaelle sorriu sapeca para o irmão arqueando uma das sobrancelhas.

— Ok, eu posso fazer isso — Harry deu de ombros.

(•••) 

— Eu não posso fazer isso — Harry disse, enquanto fitava Courtney a distância. 

— Ah, é claro que pode! Vai logo Harry — Beatrice o empurrou fazendo com que ele desse um passo a frente.

— Não, não posso — virou-se bruscamente e fitou a irmã — eu não posso fazer isso.

— E por que não pode?

— Mika, olhe só pra ela — a irmã olhou sobre seus ombros, observando atentamente a garota loira antes de se voltar para Harry — eu não posso fazer isso, ela vai acabar comigo, ela nem sequer vai olhar na minha cara.

— Maninho, todos nós sabemos que Courtney Dawson é apaixonada por você desde a quinta ou sexta série, tudo bem que já tiveram um lance e não acabou nada bem, mas com certeza ela ainda sente algo, vá por mim.

— Tudo bem — se deu por vencido, as duas sorriram — mas você vem comigo — apontou para a irmã.

— Eu? Mas você não me disse que ela me od...? — não teve chance de prosseguir e já estava sendo arrastada pelo irmão até onde Courtney estava. A loira folheava uma revista, enquanto alternava entre ler e tomar o seu suco.

— E aí, Courtney? — Styles se debruçou no balcão em que ela estava e deu seu melhor olhar galanteador.

  Courtney riu anasalada negando com a cabeça, levantou seu olhar dando de encontro com os verdes de Harry, sorriu.

— O que os gêmeos Styles fazem aqui? — virou-se para Mikaelle e voltou-se para Harry.

— Precisamos de um favorzinho seu.

— E o que lhes faz pensar que ajudarei?

— É coisa rápida, e você pode conseguir um presentinho se o fizer.

— E o que seria?

— Preciso que de em cima de Liam Payne e beije-o — deu de ombros.

Courtney riu mais uma vez. 

— E por que sua irmãzinha não pode o fazer?

— Nunca deixaria que fizesse isso, e aliás, quem além de nós odeia Pâmela Madsen mais que tudo? 

Courtney gargalhou e negou com a cabeça, um sorriso malicioso lhe surgindo os lábios.

— Até que o Payne é bem gostoso — deu de ombros, lembrando-se das vezes que teve o privilégio de ver Liam sem camisa nos treinos, mordeu o lábio inferior com os pensamentos do garoto em sua mente e voltou-se para o cacheado em sua frente — eu topo, nada melhor que beijar alguém como Liam Payne, e ainda de bônus ver a tolinha Pâmela chorando.

— Perfeito! — Harry comemorou — e o que vai querer em troca?

— Bem, eu estou precisando de uma média melhor em Frânces.

— Ah! — fez um gesto de descaso com a mão — a Mikaelle pode fazer sua prova — apontou para a irmã que o fitou com um olhar nada bom.

— Ótimo, ainda hoje faço o que pediram. 

— Obrigado, e Courtney, eu estava pensando, um dia desses se quiser, nós podíamos...

— Sem chance Styles, meu alvo é o Payne agora — o interrompeu, sorrindo petulante.

— Bem, eu tentei — deu de ombros e saiu juntamente da irmã.

***

  Não era uma total perda de tempo, afinal era Liam Payne, e Courtney mais do que ninguém sabia que Liam era um garoto que não passava despercebido pelas vadias de Harvard, e ela concluía isso quando via as garotas cabularem as aulas para o vê-lo treinar, e ela tinha de admitir que se não tivesse o "privilégio" de ser supervisora ao seu favor também o faria de bom grado. 
  Olhando mais atentamente para o garoto ela soube porquê Pâmela sustentava essa paixão platônica pelo mesmo, Liam Payne era sensacional, por assim dizer. Costas largas e bem desenhas, o corpo musculoso e na medida certa — nem tão exagerado e nem pouco trabalhado —, pernas torneadas, pele levemente bronzeada, olhos castanhos mel, e os lábios mais apetitosos que a loira já viu, cabelos castanhos e com um discreto topete, Courtney suspirou e negou levemente com a cabeça, ela só podia estar louca quando topou fazer aquilo. Liam com toda certeza tinha o tipo de beijo na qual se viciava rapidamente.
  Cortou seus pensamentos ao ouvir Pâmela conversando com suas amigas no final do corredor, se ela quisesse mesmo beijar Liam tinha de agir rápido, e ela logo o fez. O garoto estava de costas enquanto parecia procurar algo em sua mochila, ele era o único na sala de aula, o que era estranho já que a aula começaria em apenas sete minutos. Courtney passou delicadamente seus dedos de um ombro para o outro, chamando assim a atenção de Liam, que ao ver a garota sorriu, Courtney retribuiu o seu sorriso com um malicio.

— Hey Courty.

— Oi Payne.

— Hãn... O que faz aqui? Não me lembro de ter a mesma aula que você — disse meio confuso.

— E não tem — soltou um risinho — eu só vim aqui para poder te ver.

— Me ver? E por quê?

— Ah — deu de ombros — você não compareceu ao treino hoje, eu senti sua falta — falou manhosamente, fazendo Liam rir fraco e negar com cabeça.

— Não pude ir pois tinha que repor algumas aulas de álgebra. 

— Que coisa chata — fez um biquinho — não sabia que precisava de reforço em álgebra.

— Pois é...

— Sabe, eu me dou muito bem nessa matéria e talvez eu pudesse... — levou seus lábios até a orelha de Liam mordendo delicadamente o lóbulo da mesma — lhe dar aulas particulares — finalizou de um jeito sexy.

  Payne riu nervosamente e virou o rosto para a direção contrária. Courtney levou o indicador até seu queixo, virando seu rosto para si, e antes mesmo que Liam tivesse chances de pontear o que iria acontecer a seguir, sentiu os lábios finos da garota em contato com os seus. Courtney puxou Liam pela nuca aprofundando mais o beijo, ao ponto em que Liam teve certeza que a garota havia passado gloss de morango. Seus lábios eram macios e ágeis e Liam não teve muita noção de seus atos até o momento em que colocou Courtney sobre uma das mesas, e sentiu sua língua fria em contato com a sua, o beijo não era tão exagerado, porém não menos provocativo, Liam vez ou outra mordia os lábios de Courtney, fazendo a garota arfar durante o beijo. Ele apertava firmemente sua cintura, enquanto sentia seus dedos gélidos em sua nuca, e com um estalo eles se separaram.
  A loira sorriu maliciosa para Liam, o mesmo deu-lhe um meio sorriso e assim que ouviu alguns garotos gritaram algo como "Aê Payne!", que teve noção do que acabara de acontecer, levou seu olhar até a entrada da sala e pode ver ali milhares de garotos do seu time de box, os mesmos não descartando a hipótese de soltar alguns "uhul's" e algumas piadinhas, até mesmo o Sr.Halter - seu professor de geografia - estava nessa, sorrindo com os comentários que as pessoas soltavam, e Liam não pode evitar não sorrir.

— Sei que a vida amorosa do Sr.Payne é de muito interessante, mas vão entrando para que possamos começar a aula — o professor lhes instruiu logo tomando seu lado profissional de volta. Ele segurava a porta enquanto esperava com que todos entrassem, coisa que em minutos fizeram, exceto por uns ou outros e Liam e Courtney, que aliás, permanecia sentada na mesa com Liam frente a si — Srta. Madsen, vai ficar ai na entrada ou vai entrar? — perguntou o Sr.Halter.

  E foi ai que Liam a notou ali, dentre toda aquela bagunça de gritos e zoações ele não a tinha visto antes, os olhos azuis marejados e a expressão paralisada, ela apertava os livros com força contra o peito enquanto olhava fixamente para si, Liam logo desmanchou seu sorriso ao vê-la daquela forma.

— Pamy... 

  Pâmela apenas negou com a cabeça antes de virar-se e sair dali apressadamente, Liam estava pronto para ir atrás da garota, porém sentiu Courtney tocar seu braço delicadamente o puxando, e com um dar de ombros o professor fechou a porta e fez com que os últimos alunos se sentassem e deu inicio a sua aula.

***

  A loira tentava segurar as lágrimas que já ameaçavam cair, ela andava apressadamente pelo corredor naturalmente vazio, já que todos estavam em período de aulas agora, e ela meio que agradeceria por isso, pois assim não correria o risco de encontrar com alguém. Porém, Pâmela "comemorou" cedo demais, já que dentre minutos sentiu alguém lhe empurrar um dos ombros. Estava pronta para continuar seu percurso quando sentiu uma mão em seu braço a puxar com firmeza, virou-se e pode ver as duas figuras sorridentes a sua frente. Mikaelle e Beatrice. Pâmela puxou seu braço para si com força e pode ouvira uma risada vinda de Beatrice.

— Pobre Pâmela, está de coraçãozinho partido — Beatrice disse cinicamente, enquanto fazia um biquinho e tornava a rir.

— Me deixem em paz — murmurou, e lhe deu as costas porém foi impedida por Mikaelle que adentrou sua frente.

— Deve ser horrível estar apaixonada pelo melhor amigo e não ser correspondida, uh? — Mikaelle disse, e assim como Beatrice riu.

— Vão se danar — e mais uma vez tentou sair dali, Mikaelle a empurrou levemente para trás.

— Isso é para você aprender a pensar duas vezes antes de publicar aquelas idiotices sobre nós no seu blog.

— Até parece que não nos conhece Pâmela, você pensou mesmo que se livraria de nós tão facilmente? Nem ao menos pensou nas consequências, estou certa?

— Vão se ocupar fazendo coisas fúteis e esqueçam que existo! — esbravejou já irritada e as empurrou finalmente conseguindo sair dali.

  E mesmo que em certa distância ainda pode as ouvir rir de si, e isso lhe a fez ter mais vontade ainda de chorar e sumir de vez.

— Não se esqueça que podemos fazer pior da próxima vez, Pamy.

  Ainda pode ouvir Mikaelle dizer antes de correr para sair dali o mais rápido possível, ela não sabia exatamente para onde ir, mas só queria ficar o mais longe possível das provocações daquelas duas. Foi então que se viu adentrando a grande porta da redação e correndo pelo corredor acabou por esbarrar em Niall e Kevin que conversavam distraidamente, a garota murmurou um "desculpe", antes de continuar seu percurso e logo se ver frente a porta que daria ao palco central do teatro.
  Fechou a porta atrás de si e correu logo se acomodando em uma das paredes ao fundo, logo atrás das cortinas vermelhas, pendeu a cabeça para trás encostando a mesma na parede, e assim já não pode mais evitar conter as lágrimas que rolavam livremente por suas bochechas agora rosadas. Ela não sabia exatamente do porquê de estar se sentindo daquela forma, ela apenas queria chorar e jogar para fora todos aqueles sentimentos ruins que estava sentindo. Raiva. Frustrada. Chateada e acima de tudo se sentindo uma completa e verdadeira idiota.
  Fungou e soluçando voltou a chorar ainda mais, agora levando as mãos até o rosto e desabando, ela abraçou os joelhos com força e abaixou sua cabeça enquanto os ombros balançavam e ela tentava reprimir os soluços que lhe escapavam os lábios. Ela estava sozinha ali, colocando tudo para fora e se sentia bem estando sozinha, porém por outro lado era como se ela quisesse uma pessoa ali, talvez um ombro para chorar ou alguém que lhe pudesse abraçar.
  E foi aí que a loira pôde sentir dedos gélidos tocarem seu ombro levemente, o garoto ajoelhou-se ao seu lado e apertou delicadamente seu ombro, e seguiu-se então uma voz melodiosa e calma, como um sussurro.

— Pam... Está tudo bem?

  A loira ergueu a cabeça e percebeu Niall ali, o garoto tinha um semblante triste. Estava com pena de si, concluiu Pâmela. Ela não sabia se conseguiria dizer algo sem chorar ou soluçar ainda mais, então apenas negou com a cabeça. O irlandês assentiu calmamente e lhe rodeou com seu braços num abraço desajeitado, tentando dessa forma demonstrar a Pâmela que ele estava ali para si. A garota então apenas retribuiu o abraço e chorou no ombro de Niall molhando seu suéter alaranjado. Niall a apertou mais contra si e fez leves caricias em seus cabelos loiros.

— Calma, eu não sei o que aconteceu mas vamos resolver... — sussurrava para Pâmela numa tentativa de consola-la.

— Ni-Niall, eu... — ela tentou dizer sem soluçar mas não obteve muito sucesso.

— Shh... Tudo bem, não precisa dizer, vai passar — A apertou com mais força, tentando lhe passar confiança.

— Po-por que está fazendo isso? — perguntou, ainda abraçada ao loiro.

— Bem, gosto de ter belas garotas chorando nos meus braços — Niall deu de ombros, soltando assim a piada afim de fazer com que Pâmela sorrisse, o que ele concluiu dar certo ao ouvi-la chiar e logo em seguida rir baixo.

— Besta...

  Niall riu e voltou a acariciar seus cabelos, Pâmela apenas se permitiu acomodar-se mais ao abraço do loiro, deitando sua cabeça em seu ombro enquanto aceitava de bom grado as caricias em seu cabelo.

— Sabe Pam, seu cabelo e muito macio, que shampoo costuma usar?

  Pâmela riu novamente, sabia que aquele era o jeito de Niall de consola-la, e ela gostava daquilo, porque apesar de tudo esse era o objetivo de Niall, fazer Pâmela sorrir parar esquecer aquilo que tanto lhe entristecia. E eles continuaram assim, com Pâmela ainda abraçada a Niall enquanto o mesmo lhe fazia perguntas bobas, e ela por vez, respondia cada uma com um novo sorriso.

***

  Depois da aula de sociologia elas sabiam que não teriam a próxima aula juntas, mas serem as Abelhas-Rainhas daquele colégio tornava uma simples caminhada até seus devidos armários muito mais divertida.

— Eu não acredito que ela fez isso — disse comovendo-se com a perda da amiga.

— Mas ela fez, e manchou.

— Manchou?

— Sim, eu disse que era para ela ter lavado á seco.

— Que droga.

— Mas pelo menos vamos ter de sair de novo para eu comprar outro vestido! — disse animada e a outra riu.

Beatrice percebeu a amiga olhando por cima de seu ombro e também se virou.

— "Professor Particular de Francês'' — leu o papel que ela vira Niall pregar no quadro de avisos mas não dera importância antes.

— Sabe para quem é, não é?

— Zayn? — a outra assentiu veemente,

Mikaelle caminhou e destacou a primeira tirinha de papel com o número do garoto. 

— O que vai fazer?

— Pode ser que me interesse — disse com desinteresse.

— Mika não, não pode.

— Por que não?

— Porquê está fazendo isso pelo motivo errado.

— Você acha? Ele é muito misterioso para ser só uma pessoa normal, e se quem manda essas mensagens tiver alguma ligação com ele?

— Não pode descobrir de outro jeito? Sem perguntar a ele?

— Quem mais além dele sabe, Bea? Seu eu conseguir fazer ele falar talvez a gente...

— Ele nem vai olhar para você! Não confia em nós, ele não confia em mais ninguém! — disse já um tanto irritada com a teimosia da amiga e Mikaelle assentiu devagar.

— Pode ser, mas se juntarmos as pecinhas do Quebra-Cabeças quem sabe concluímos alguma coisa e podemos nos ajudar? — disse e antes que a amiga pudesse protestar Mikaelle tira o papel do quadro de avisos e o leva consigo, deixando ali uma Beatrice confusa e preocupada com a amiga.

***

  Niall olhou para um lado e viu Harry, se escondeu o máximo que pôde enquanto guardava seus livros em seu armário. Ao olhar para o outro lado viu Louis, ele sabia que eles o tinham visto, quem sabe em outra ocasião não tivessem, mas estavam em um corredor vazio.

— Achou mesmo que daria certo? — perguntou Harry se desencostando do armário.

— Para ser sincero, a-achei.

— Vindo de você não espero mais que isso — caçoou Louis também se aproximando — mas como disse, isso veio de você, então é claro que não daria certo.

— Não está cansado do fracasso, Horan? — a esta altura ambos estavam apoiados nos armários ao lado do menor que podia sentir começar suar as palmas das mãos.

— Seu silêncio é muito reconfortante — disse Louis e o loiro apenas levou seu olhar a ele ainda sem saber responder.

  Harry passou seu braço por cima dos ombros do menor o guiando até o banheiro enquanto Louis os seguiam. Niall já podia presumir o que viria a seguir mas realmente esperava que não fizessem o que ele achava que fosse.

— Já brincou de ser mumificado antes, Niall? — Louis perguntou tirando um rolo de fita Silver Tape do bolso de sua college vermelha e preta com as iniciais do time de Harvard e ele negou veemente.

— O primeiro passo é ficar com a postura reta e os braços e pernas juntos — disse Harry e Niall o olhou como se ele fosse louco — Vamos, faça! — Niall continuou estático e tirando uma ponta Louis logo começou a enrola-lo com a fita.

   Louis começou pelos ombros, primeiro o direito e depois o esquerdo, depois os antebraços e depois continuou dos braços até os pulsos. Niall assemelhava-se a uma sereia ou lagarta parcialmente prateada, ele queria distrair-se do medo e rir, mas se fizesse, sua situação poderia ficar pior. E em questão de segundos Louis levou sua mão direita até a cabeça de Niall e puxou seus fios tingidos.

— Hey, calma aí, Louis — era loucura ou Harry estava comovido com o sofrimento de Niall? Se ele o impedisse de levar um caldo ele faria quantos trabalhos Harry desejasse — vou pegar a câmera! — e Niall soube que merecia aquilo.

  O cacheado voltou algum curto prazo de tempo depois com a alça do aparelho sobre os dedos enquanto segurava a câmera e observava a cena no pequeno visor.
  Louis afogava a cabeça de Niall na privada por diversas vezes sem cessar, enquanto Harry pressionava o botão de descarga e os pulmões do loiro pareciam arder em chamas mesmo que o garoto estivesse sendo afogado em água. Não era um simples afogar e deixar o corpo de Niall sem ar, o ato parecia também afogar suas expectativas, sonhos, esperanças e o que mais o garoto tivesse com relação ao aumentar sua sociabilidade e diminuir sua humilhação.

***

  A garota parou por um instante diante da residência e só então percebeu que não fazia ideia de como abordá-lo, não era simplesmente chegar e dizer o porquê de estar ali, ou era? Bem, ela não estaria mentindo se dissesse que estava ali para dar a ele aulas particulares de francês, era de fato verdade, e também era verdade que iria conseguir o que queria também lhe dando aulas de francês. Segurando algumas cartas que estavam jogadas ao chão ao lado da caixa de correios quebrada ela subiu os degraus da fachada de madeira branca e parou diante à porta. Embora não quisesse admitir, ela sabia que Zayn era como um gato arisco, assustado e indefeso, a menos que faça algo errado.
   Ele atendeu rápido depois de ela bater duas vezes, como se estivesse a esperando do outro lado da porta ou apenas procurando uma desculpa mínima para sair, mesmo que só até a fachada.

— Oi, err.... Isso aqui estava no chão quando eu passei — encrespou os lábios e estendeu as cartas que ele pegou rapidamente sem desconectar o seu olhar do dela, ele a olhava entre as frestas da pequena corrente que ainda trancava a porta, baixou o olhar e começou a empurrar a porta devagar — Espera aí, eu vim para te dar aula, alguém da escola te ligou, não é? — então ele fechou a porta rápido, ela baixou o olhar estática e piscou devagar mas suspirou ao ouvir o som da porta sendo destrancada.

Ele a abriu mais e colocou a cabeça para fora.

— Por que você? — disse por fim,a voz depois de alguns dias sem ouvir soando novamente inédita para a garota.

— Eu sou monitora de francês, e me ofereci — ele suspirou pesado e ela teve um pouquinho de receio de que ele tivesse se irritado — eu olhei o programa do curso e montei um cronograma para o resto do semestre, se eu te der aula três vezes por semana nós podemos... — foi interrompida pelo frio na barriga que lhe surgiu quando ele bruscamente saiu e fechou a porta atrás de si.

— Olha, você não pode entrar, não quero que meus pais pensem que estou me metendo em encrencas, ainda mais se me virem com você — ela continuou com seu olhar fito nele e ele logo se apressou em continuar — não que você...

— Está bem, tudo bem, eu sei... Tem outro lugar onde a gente possa ir?

— Eu não posso ir a outro lugar — disse baixando os olhos até a tornozeleira e ela também o fez e umedeceu os lábios, automaticamente se sentiu uma completa idiota, é engraçado como as coisas dão erradas quando o que você mais quer é que deem certas.

— Seu pais vão se incomodar se a gente se sentar aqui na sua porta? — ele deu de ombros rapidamente.

  Ela se virou se sentando no primeiro degrau da escada e ele fez o mesmo. Ele analisava um livro da matéria com muito interesse simplesmente para não ter de olhar nos olhos da garota, era só diferente vê-la de novo, ele não esperava que depois do acontecido no ginásio ela voltasse a falar com ele, ele a ajudou, ela retribuiu e acabou. Ela abriu o zíper da mochila que havia posto no degrau de baixo e entre as suas pernas e tirou de lá o objeto.

— Eu trouxe uma coisa — disse e lhe entregou o livro. Ele analisou a capa mole e a HQ de não muitas páginas e leu o título em francês, ela sorriu.

— O Soldado América?

— O Capitão América, é uma adaptação da HQ original em inglês para o francês, não é uma tradução literal mas ler algo que já conhece ajuda a treinar.

— Como sabe que eu leio?

— Uma vez eu te vi lendo O Homem-de-Ferro e achei que fosse gostar desse — desviou seu olhar dos olhos castanhos dele até as pequenas plantas que nasciam entre algumas partes quebradas da calçada.

— O que veio fazer aqui? — ela tinha de admitir que a pergunta lhe assustou um tanto, deu um grande suspiro.

— O seu professor quer que reveja os tempos condicionais, a revista tem exercícios que... — dizia enquanto colocava sua mochila ao seu lado.

— O que quer? — foi interrompida e logo levou seu olhar ao dele.

— Por que acha que quero alguma coisa? — perguntou já cansada daquele joguinho idiota de ignorar suas insinuações.

— Porque você não faz nada sem uma razão.

— Quem te disse isso?

— Ninguém precisou me dizer.

Ela olhou para trás observando a janela aberta, não parecia haver alguém ali.

— Fez mesmo aquelas coisas? As que vivem dizendo que você fez?

— E você acreditaria se eu dissesse a verdade?

— Depende da sua resposta — ele deu um longo suspiro.

— Não, não tudo o que dizem, mas já fiz algumas coisas das quais me arrependo.

— Então não foi você que... — ele arqueou as sobrancelhas esperando a terminação da frase que não veio.

— Não.

— Sabe quem foi?

— Não — omitiu um fato mesmo que deduzisse quem poderia ser.

— Então alguém que não sabe quem é armou para você?

— Talvez, mas por que todas essas perguntas? Por que mudou de ideia?

— Não mudei de ideia, não tinha uma opinião formada sobre você só pelo que ouço por aí, não sou assim — ele esperava uma resposta e ela logo respondeu sua pergunta — talvez estejam fazendo algo parecido comigo, talvez a mesma pessoa.

— E como se sente?

— Muito mal, me dá medo — Mikaelle estava se abrindo de uma forma que não havia feito com ninguém até então, até mesmo com Harry ou Beatrice, e isso tirava um peso enorme dos seus ombros.

— Por que fariam algo contra você? O que a faz uma pessoa tão importante?

— Nós dois sabemos que todos têm motivos para fazer algo contra mim, pelo menos todos de Harvard, mas se for a mesma pessoa que armou contra você, não sei.

— Vai ver sabe de alguma coisa que não deveria saber... — ela se assustou um pouco novamente mas tentou disfarçar.

— Toda vez que eu acho que sei de algo alguém puxa meu tapete e eu acabo quebrando a cara.

— Cedo ou tarde.

— Tôt ou tard — o sotaque francês puxado em sua voz, eles riram — olha, me desculpa se eu pensei ou falei algo de você — ele desviou o olhar, sabia que ela falava a verdade, só não queria levantar o resto e ver aquele olhar de pena que tanto conhecia.

— Então tinha uma outra opinião formada sobre mim antes? — levantou seu olhar com um sorriso no rosto e antes que a garota pudesse responder eles ouviram a janela ser fechada e se viraram assustados.

— Olhe, eu tenho que ir, valeu pelo quadrinho — disse apressado e da mesma maneira se levantou até a porta.

— Está bem... — então ele sorriu fraco e entrou — de nada... — ela disse em direção a porta já fechada.

 Ela suspirou ainda na mesma posição e ficou assim por alguns segundos, então ouviu o celular tocar na mochila mas demorou um pouco até achá-lo em meio aos seus livros.

"Que feio Mika, dando aulas falsas e usando o pobre Zayn para conseguir respostas —A"

Seu/Nome P.O.V's

  Desferi mais algumas poções e feitiços contra o personagem de Niall, e logo a batalha foi dada como encerrada e em questão de segundos seus pontos de ação passaram para minha personagem, eu sorri pensando no quão irritado ele poderia estar. E em menos de minutos o ícone do bate-papo piscou chamando minha atenção, "BlondieWalker17 lhe chamou para uma nova conversa" era o que dizia a mensagem acima do ícone, cliquei no mesmo abrindo o chat.

"Arg! Que tédio!"

"Isso tudo é tédio mesmo ou apenas frustração por estar perdendo todas as batalhas para mim?"

"Não (Seu/Nome), é tédio mesmo"

"Haha, sendo assim, somos dois, já estou enjoada de tanto ganhar, LOL"

"Bem, está afim de sair?"

"Sair? E onde iríamos?"

"Ah, sei lá, apenas sair pra matar o tédio"

"Sendo assim, por que não?"

"LOL, passo aí em dois minutos"


 "BlondieWalker17 encerrou o chat de conversa com você", ri e também fiz o mesmo saindo do chat e desligando meu computador, me levantei e caminhei até meu guarda-roupas e apenas peguei meu casaco jeans e desci as escadas pronta para esperar Niall, mamãe e papai ainda não haviam chegado do trabalho, e como não sabia exatamente se demoraria ou não apenas lhes deixei um bilhete informando que fui dar uma volta com Niall e que logo voltava e que não precisavam se preocupar. Ouvi a campainha tocar e corri para atender a porta, ciente de que era Niall quem me esperava do outro lado.

(•••) 

  Niall não mencionou aonde iriamos, e não me importei muito em saber, apenas queria matar o tédio, desde que não ficássemos presos numa floresta no meio do nada sendo ameaçados por uma pessoa desocupada e que achassemos um corpo, por mim tudo bem. Havíamos pego um ônibus e durante o percurso conversávamos sobre tópicos aleatórias, enquanto eu observava Niall atentamente. 
  Eu me perguntava o motivo de nunca ter reparado em Niall. Tipo, reparado pra valer. Eu o tinha visto inúmeras vezes, mas nunca enxergado; e eu estava me batendo mentalmente por isso. Uma beleza daquela era merecedora de atenção. E ele estava sendo tão educado, usando seus termos nerds, que eu sequer repassei em minha mente que estávamos indo fosse lá pra onde, de ônibus. 
  Niall até pagou minha passagem. E eu não me enganchei na catraca, como sempre faço. Tudo perfeitamente ótimo. Depois de um tempo Niall se levantou, pedindo para que eu fizesse o mesmo. Havíamos chegado ao destino pretendido.
  Era uma avenida comum, com várias ruas paralelas e gente brotando de tudo quanto era canto. Caminhamos sem pressa alguma, passando defronte vitrines atrativas, monumentos estranhos e becos isolados. só paramos mesmo depois de uns quinze minutos andando, e — por mais que eu tenha tentando — não consegui adivinhar que lugar era aquele. Fora que tinha uma placa dizendo "Fechado para manutenção. Tempo indeterminado" presa na porta de ferro.

— Oh, droga — Niall resmungou.

— Você já pode contar o que pretende, sabe.

— Hm... — ele murmurou — Não, não agora. Meus planos não estão totalmente frustrados.

— Mas a placa — apontei para o quadrado de madeira, onde o aviso, de caligrafia mal feita, estava gravado.

— Eu conheço outra entrada.

— Por que será que isso está parecendo encrenca? — cerrei os olhos, encarando-o.

— Porque, se fomos pegos, com certeza estaremos encrencados.

Ele se virou, voltando a andar.

— Você não parece ser o tipo de cara que comete loucuras, Horan — comentei, não podendo perder a oportunidade de zoar Niall.

— Você não me conhece, Lancaster — riu. 

Maneei a cabeça e continuei o seguindo.

— Qual foi a maior loucura que você já cometeu? Ter revelado uma fonte que era pra ser anônima, no seu jornal? — continuei o provocando.

— E quanto a você? — retrucou, no mesmo tom brincalhão — Não arrumou seus livros por ondem alfabética?

Eu ri.

— Pra ser sincera, a maior loucura que já fiz foi ter aceitado o convite de Liam para acampar com vocês aquela noite.

— Touché — levantou as mãos — Eu também.

Niall parou bruscamente, quase fazendo com que eu desse um encontrão nele.

— Ei — reclamei.

— Desculpa.

  Ele olhou para um lado e para o outro, e eu também fiz o mesmo. Não havia ninguém naquela parte da rua. E, pra falar a verdade, aquele era um lugar bem estranho. Estávamos de frente para uma cerca de arame, e do outro lado tinha uma espécie de passagem estreita e extensa. Aquela parte era o que parecia ser a entrada dos fundos, seja lá que lugar fosse aquele.

— Eu devo começar a ficar desconfiada de você?

  Ele riu. Por que ele riu? Eu estava falando sério! Não, estava nem um pouco afim de me meter em encrencas novamente.
  Niall, como uma espécie de baderneiro profissional, pegou a lateral da cerca, forçando-a mais ainda para o lado. Ele conseguiu abrir uma fenda estreita, porém espaçosa o suficiente para que passássemos. 

— Senhorita — fez um gesto com a mão, indicando que eu passasse primeiro.

— Se eu travar aqui a culpa é sua.

  Sem dificuldade alguma eu consegui passar. Com ele foi um pouco mais difícil, já que o mesmo acabou se atrapalhando um pouco. Niall me encostou na parede e — por um momento — meu coração parou. Mas então ele passou, lateralmente, por mim; seu corpo muito grudado ao meu. Eu fiquei travada por alguns segundos, tentando recuperar minha dignidade, e então o segui.
  Ele parou de frente para uma porta vermelha, cheia de ferrugem. Tateou a parede com a mão esquerda, tirando um dos pequenos tijolinhos laranjas da parte de cima. De dentro do buraco na parede, ele pegou uma chave.

— Greg tem um colega que é dono daqui — explicou — eu queria te trazer de forma honesta, pagando e tal. Mas como está fechado... — Deu de ombros.

  A porta se abriu num gemido arrastado, deixando claro que o quão velha estava. Uma claraboia no centro do teto iluminava metade do local em que estávamos — um corredor mais aberto, mas não menos claustrofóbico. Niall abriu a segunda porta, esta não fazendo barulho algum. Ele pressionou um interruptor, e assim que passei pela porta, finalmente pude me dar conta de onde estava.

— Não creio! 

  O espaço era enorme, com alguns bancos vermelhos aliados em arquibancadas. O teto alto estava apoiado por algumas vigas; as paredes estavam pintadas num fosco tom de azul. E no centro, a pista de gelo.

— Gostou?

O encarei, ainda sorrindo.

— Está brincando?! Cara, você invadiu um rinque de patinação!

— Ponto pra mim então — ele comemorou, guiando-me para o outro lado do local — você sabe patinar?

— Sim — assenti, mesmo que ele não estivesse vendo.

— Olha, ganhei uma nova instrutora!

— Espera aí, você não sabe patinar?

— Uhm — negou — eu sempre venho aqui, mas só pra conversar com Carl. Aquilo ali — apontou para a pista — é assustador.

— E você vai se arriscar hoje?

— Hãn, acho que sim — assentiu — só não vá rir de mim.

  Eu iria dar muita risada, com certeza. Já podia até imaginar Niall se atrapalhando todo e logo depois se esborrachando no gelo.

— Claro que não irei rir de você — neguei, tentando esconder o riso.

   Ele parou diante um balcão, atravessando-o por cima. Olhou para a prateleira embutida na parede, dividida em dezenas de gabinetes quadrados, no qual estavam depositados vários patins.

— Preferência por cor? — perguntou, me olhando por cima do ombro.

— Não.

— Que número você calça?

— 35.

   Niall pegou um par de patins azul para ele e um branco pra mim. Ele se abaixou por detrás do balcão e, quando se levantou novamente, tinha uma lata de spray em mãos. O conteúdo da latinha foi espirrado dentro dos patins, para desinfetar. 

— Prontinho.

Voltamos para onde ficava a pista.

  Me sentei em uma das poltronas e me livrei do par de tênis, empurrando-os para qualquer canto. Os patins couberam perfeitamente em meus pés; as laminas metálicas eram brilhantes e afiadas, prontas para encarar o gelo sólido. A entrada da pista ficava à poucos passos, o que facilitava a passagem das pessoas que ali iam. Mas agora estava tudo vazio e silencioso, devido ao fato do lugar estar em manutenção. E, estando ali, nós estávamos quebrando um bocado de regras. Mas eu não me importei com aquilo na hora.

— Ande no tapete de borracha até que consiga adquirir equilíbrio — instrui à Niall.

   Eu me deslizei para dentro da pista, equilibrando-me com perfeita maestria no gelo. Niall vinha logo em seguida, segurando de forma firme na barra lateral.

— O que eu faço? — perguntou.

— Primeiramente, nada de medo — comecei — segure na mureta e comece a dar voltas na pista.

  Ele assim o fez, devagar. Me coloquei ao seu lado, acompanhando-o. Não havia nenhum segredo para aprender a patinar, a pessoa precisava apenas se manter equilibrada, com os olhos fixos em algum ponto e ter movimentos constantes e graciosos. Niall havia pego bem o espírito da coisa toda, e logo se arriscou ir para o centro. Então ele escorregou.
   Eu comecei a rir, porque segurar o riso nunca foi uma dádiva minha. E Niall não ficou bravo, ele apenas riu junto.

— Será que pode me ajudar? — pediu, estendendo as mãos.

   Deslizei até ele, pegando-as. E, como uma mini vingança, ele me puxou para o chão, fazendo-me cair ao seu lado. O ataque de risos não cessou.
   Nós ficamos por cerca de meia hora patinando. Niall caía de segundo em segundo, e eu apenas me arriscava em alguns deslizes mais difíceis. Teve até uma hora em que ele me parou e ficou apenas me observando, o que me deixou um tanto desconfortável.
   Fomos até as máquinas de refrigerantes e salgadinhos que haviam ali e fizemos uma pausa para o lanche. Enquanto estávamos sentados na arquibancada, criávamos tópicos afim de nos conhecemos melhor, afinal, Niall era como uma caixinha de surpresas e eu sempre conhecia e descobria coisas novas sobre si.
   Não tenho certeza absoluta de quanto tempo ficamos lá, mas era como se já nos conhecêssemos há séculos. Nós voltamos a patinar, e arriscamos até uma corrida. Eu ganhei, é claro. Mas como tudo o que é bom dura pouco, precisávamos ir embora. E enquanto nos dirigíamos até onde guardaríamos os patins, eu jurei ter visto o vulto de alguma pessoa ou coisa dentre as arquibancadas, ignorei isso e continuei o percurso seguindo Niall. 
   E quando chegamos até onde a prateleira embutida estava, uma coisa muito estranha havia acontecido, os milhões de patins que antes estavam lá, agora já não estavam mais lá, havia apenas um único patins, como se alguma pessoa estivesse ali junto a nós e o havia deixado ali, eu e Niall nos entreolhamos estávamos prontos para calçar nossos tênis e sair dali o quanto antes, porém paramos no instante em que vimos, ao longe uma pessoa sentada na arquibancada, não era possível ver seu rosto por conta do capuz vermelho que usava que tampava boa parte de seu rosto, a pessoa estava estática enquanto parecia nos observar atentamente, ela vestia um casaco vermelho na qual tinha um capuz, e seus demais trajes eram pretos. Demos alguns passos em direção a essa figura macabra e paramos no segundo em que sapatos pequenos e vermelhos entraram no nosso campo de visão seguido por uma voz.

— Como entraram aqui?

  Subi lentamente meu olhar, vendo calças azuis escuras e uma barriga cheinha. Oh, droga!

— Respondam — a voz masculina tornou a dizer, dessa vez mais firme. Levantei mais meu olhar para seu rosto: era um guarda — Vocês não tem autorização para estarem aqui, não viram a placa lá fora?

— Eu hãn...

  Ouvimos a porta de ferro ser fechada com força, e quando voltei meu olhar a arquibancada a pessoa encapuzada já não estava mais lá.

— Ah, eu não acredito — o guarda falou, encarando à Niall e depois voltando para mim — Vocês dois estão muito encrencados. Muito encrencados.

  Niall voltou-se para mim com um olhar de "ferro". E não pensei duas vezes antes de driblar o guarda e saltar de uma arquibancada para outra, alcancei o casaco vermelho deixado sobre a arquibancada, o peguei e segui a Niall que corria em disparada em direção a saída, enquanto o guarda gritava por nós.
   Eu estava desesperada e só pensava em poder sair de lá o mais rápido possível, já Niall parecia mais relaxado em relação a nossa situação, ao julgar pelas gargalhadas altas vindas dele que ecoavam pelo rinque de patinação. Ouvimos o guarda falar com alguém pelo walkie talk e chamar por reforço, mas já era tarde demais, antes mesmo que ele pudesse nos alcançar conseguimos sair e num completo ato de desespero pular a cerca de arame.
   Havíamos corrido desesperadamente por dois quarteirões seguidos, e já estávamos longe o suficiente para que o guarda não tivesse mais chances de nos alcançar. Paramos depois de alguns minutos e eu me apoiei em uma parede e joguei a cabeça para trás, Niall se apoiou em seus joelho e respirou fundo, ficamos uns minutos em silêncio esperando nossas respirações se normalizarem, e logo explodimos em uma gargalhada, rindo da completa loucura na qual fizemos e também da encrenca em que poderíamos ter nos metido. 

— Essa noite foi um desastre, mas não posso dizer que não me diverti — Niall disse, minutos depois de nossas gargalhadas cessarem, assenti concordando com o mesmo.

— Bem, ao menos não foi um completo desastre, eu consegui pegar o casaco — O estendi o casaco vermelho, ele o pegou o observando atentamente.

— Será que esse aqui é mesmo o casaco do -A? 

— É o que parece — dei de ombros.

   Niall começou a vasculhar os bolsos do casaco e tirou de um dos bolsos um pequeno papel branco, no qual me parecia um tipo de recibo. 

— Bem, pelo que me parece foi feito por encomenda e custou 25,00 €, e foi encomendado na Holmes Chapel: costumes & masks — franziu o cenho, me fitando. Nossos celulares tocaram ritmadamente, nos entreolhamos e pegamos nossos aparelhos celulares e lemos as mensagens junto e em uníssono.

"Depois não me digam que nunca lhes dei nada -A"   

— Algo me diz que temos um lugar para ir.


CONTINUA...

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Hella Fella! Td bem? Obg pelos comentários no capítulo anterior mesmo q tenha demorado U_U fickfkckx Espero que tenham gostado do capítulo tanto quanto eu gostei, comentários nos incentivam principalmente se forem grandinhos, mas amo td q vcs comentam. Vou deixar uma pergunta no mínimo irrelevante mas q eu queria fazer, vcs preferem Harry fodedor ou Harry doce? Cargas de amor - Bea